Marielle e o genocídio do povo negro. Até quando ?

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Mulher, negra, lésbica, mãe adolescente, favelada. Essa era a mulher que foi executada na noite do dia 14/03/2018. Uma mulher que se cansou de assistir aos processos de exclusão e de genocídio do seu povo de perto e decidiu lutar por um Brasil mais justo. Mas não se enganem, a justiça que ela pregava e a que nós pregamos não é essa justiça de homem branco que está escrita no Código Penal Brasileiro. Estamos falando de justiça social, a qual desde sempre foi negada às populações marginalizadas e criminalizadas desse país. Estamos falando do fim do encarceramento em massa e do assassinato dos nossos corpos. Estamos falando do fim de uma política de combate ao tráfico baseada em matar morador negro nas favelas e nas periferias das cidades brasileiras.
Porém, falar de tudo isso, se posicionar e lutar por uma realidade onde o nosso povo consiga se enxergar vivendo sem medos levou à execução da nossa guerreira Marielle.
Nesta quarta perdemos uma grande militante, mas também perdemos uma irmã que ousou lutar. Angela Davis já dizia que quando a mulher negra se move, toda a sociedade se move com ela, pois é da base da pirâmide social que vêm as grandes mudanças.

Numa semana extremamente difícil para cada pessoa preta nesse país, em que tivemos o assassinato de Marielle e de Anderson , os quatro anos da morte de Cláudia Ferreira, brutalmente assinada em 2014 , e como se não bastasse , a notícia da morte de Beijamin , de 2 anos e Maria Lúcia, de 58 anos , ambos moradores do complexo do alemão , vitimados na última quinta-feira durante um tiroteio , é hora de dizer BASTA! Basta de termos nossos corações dilacerados a cada vez que ouvimos um noticiário. Basta de sermos vítimas de um Estado genocida. Basta de ter nossas tentativas de mudar essa realidade nociva destruídas por uma proposta de governo racista.

Basta! Nós estamos em movimento! E só vamos parar quando cada um dos nossos estiver vivendo em liberdade!

Ubuntu! 

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